Vistos de Residência em Portugal em 2026

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Portugal continua a ser um dos destinos mais procurados por cidadãos estrangeiros que pretendem viver, trabalhar ou investir na Europa. Em 2026, existem vários tipos de vistos de residência em Portugal, cada um adequado a perfis e objetivos distintos.

De forma geral, a escolha do visto deve ter em consideração três fatores fundamentais:

  • a natureza dos rendimentos ou da atividade profissional;
  • os objetivos pessoais e profissionais em Portugal;
  • o grau de permanência pretendido em território nacional.

Vistos de Residência em Portugal – quadro comparativo

Visto D7 – Residência para titulares de rendimentos passivos

O Visto D7 destina-se a cidadãos estrangeiros que disponham de rendimentos próprios e estáveis, suficientes para assegurar a sua subsistência em Portugal. São considerados rendimentos elegíveis, entre outros, pensões, rendas, dividendos ou outras aplicações financeiras. Em 2026, o valor mínimo de referência de que o requerente deverá dispor corresponde a € 11.040 anuais, equivalente a doze salários mínimos nacionais. Importa salientar que não basta atingir este valor. As autoridades analisam igualmente a regularidade dos rendimentos, a sua origem lícita e a efetiva intenção de residência em Portugal.

Este visto é particularmente indicado para reformados, titulares de património ou investidores nos mercados financeiros que pretendam estabelecer residência estável no país.

Visto D8 – Residência para trabalhadores remotos

O Visto D8, conhecido como visto para nómadas digitais, destina-se a profissionais que exercem a sua atividade remotamente para entidades sediadas fora de Portugal. É exigida a existência de contrato de trabalho ou de prestação de serviços com entidade estrangeira, bem como a comprovação de um rendimento mensal mínimo correspondente a quatro vezes o salário mínimo nacional, ou seja, € 3.680 por mês em 2026.

Este visto tem vindo a ganhar grande relevância junto de profissionais das áreas tecnológicas, criativas e de consultoria, permitindo residir legalmente em Portugal sem cessar o vínculo laboral internacional. Tal como o D7, o D8 pressupõe residência efetiva em território nacional.

Visto D2 – Empreendedores e profissionais independentes

O Visto D2 destina-se a cidadãos estrangeiros que pretendam desenvolver uma atividade empresarial ou profissional independente em Portugal. A sua concessão depende da apresentação de um plano de negócios viável, da demonstração de meios financeiros adequados e da coerência entre o perfil do requerente e o projeto apresentado. Em 2026, o valor mínimo de referência para meios de subsistência é de € 11.040 anuais.

Este visto é frequentemente utilizado por empreendedores, freelancers, fundadores de start-ups e profissionais liberais que pretendem exercer atividade económica em Portugal de forma ativa e continuada.

Visto D3 – Profissionais altamente qualificados

O Visto D3 destina-se a profissionais com elevada qualificação técnica ou académica, contratados por entidades empregadoras portuguesas. Para efeitos legais, exige-se a existência de contrato de trabalho para o exercício de uma atividade altamente qualificada, qualificações adequadas para a função e uma remuneração mínima correspondente a três vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o que equivale, em 2026, a € 1.611,39 mensais.

Tal como os anteriores, também pressupõe residência efetiva em território nacional.

Golden Visa – Autorização de Residência para Investimento

O Golden Visa mantém-se como uma opção atrativa para investidores que pretendem obter residência em Portugal sem necessidade de residir permanentemente no país.

As modalidades atualmente elegíveis incluem, entre outras:

  • investimento mínimo de € 500.000 em fundos de investimento portugueses;
  • doação entre € 200.000 e € 250.000 para projetos culturais aprovados.

Uma das principais vantagens deste regime é a exigência reduzida de permanência em território nacional, fixando-se numa média de 7 dias por ano.

A importância de uma escolha informada

A escolha do visto de residência não deve ser feita de forma automática nem baseada apenas em critérios financeiros. Cada visto corresponde a um projeto de vida distinto e implica diferentes obrigações legais, fiscais e pessoais. Uma decisão mal enquadrada pode resultar em indeferimentos, atrasos significativos ou na necessidade de reiniciar todo o processo migratório. A correta escolha do visto e a preparação adequada do processo são determinantes para o sucesso da candidatura.

Para uma análise personalizada do seu caso, é recomendável obter acompanhamento jurídico especializado, feito por um Advogado habilitado em Portugal.

 

João Rebelo Maltez | Senior Lawyer at RME Legal
Ariana Monteiro | Trainee Lawyer at RME legal

 

Declaração de Responsabilidade

Este artigo não constitui aconselhamento jurídico e não substitui a consulta de um profissional qualificado. Cada caso depende dos seus factos específicos, da documentação aplicável e das condições de elegibilidade. As famílias devem procurar sempre aconselhamento jurídico autorizado para confirmar que todos os requisitos legais são cumpridos antes de submeter qualquer pedido.

Obtenha aconselhamento jurídico personalizado para a sua situação junto da RME Legal.